PULSAÇÃO

Ouça, caro leitor! Tum-tum ... tum-tum ... tum-tum ... tum-tum ... Gostaria de propô-lo um exercício: tente perceber a pulsação do seu coração. Sentiu? Agora, mantenha presente esta percepção durante a leitura deste texto, leia-o no ritmo deste pulsar, ou mantenha-o como um fundo musical que acompanha a sua leitura.
Acho que, ao longo dos anos, a essência do meu trabalho psicoterapêutico têm sido ajudar as pessoas a perceberem tal pulsação, pois, ela representa o milagre da vida, e esta percepção só pode se realizar neste instante – nem antes, nem depois, mas, exatamente agora. Isto têm uma importância simbólica muito grande, pois, indica onde a oportunidade está, a oportunidade de fazer, transformar, criar ... é onde a vida pulsa, no momento presente. É preciso cuidado para não viver aprisionado às amarras do que já foi, e nem perder-se nas abstrações do porvir. Ambos tem grande importância, o passado é o baú das experiências vividas, que são potencialmente geradoras de aprendizado, mas é preciso, como numa biblioteca, pegar o livro, lê-lo, entendê-lo e devolvê-lo ao seu lugar de origem; o que realmente importa não é o livro em si, mas, o aprendizado que ele gerou. E a perspectiva do futuro serve como um farol em alto-mar, um norteador, que estimula, ilumina e orienta ... mas é preciso navegar. Sem uma compreensão de onde se está e do esforço que é necessário fazer, não se chega ao farol.
Este texto está sendo produzido num momento de perplexidade diante de tantas tragédias humanas sequenciadas espalhadas pelo mundo. A mais recente é a devastação provocada pelo terremoto no Haiti. Desta história, gostaria de destacar dois recortes, dentre os vários que me chamaram a atenção; um é o de uma moça que foi resgatada dos escombros e que foi mostrada, já no hospital, em recuperação, mas com a perna muito inchada e com um dos pés amputados, porém, o que há de se destacar é a alegria que ela emanava naquele momento. Acho que ela percebeu e compreendeu o pulsar da vida; ela não me pareceu apegada às lamentações pelas perdas e pelas possíveis dificuldades futuras, mas celebrava a vida presente. Outro, é o falecimento da Dr. Zilda Arns, uma preciosidade de pessoa, que extrapolou a si mesma através de sua obra; foi uma criadora e estimuladora de projetos sociais que alcançaram os cantões do país, e para além dele, resgatando vidas e gerando esperança. É um grande exemplo de como dar sentido à vida através de uma obra, imprimindo nela a pulsação da própria vida. Desta forma, creio, ela se foi, mas a pulsação continua, basta observar a sua obra. Pesquise, saiba mais sobre ela.
Bom, meu caro, se você chegou até aqui, na leitura deste texto, e ele gerou algum sentido para você, eu me curvo agradecido e feliz, pois, sinto que a minha pulsação se estendeu através da minha pequena obra e se aliou à sua, nos irmanando no grande mistério da vida.
Até!!! ...

Rafael Coelho – Psicólogo

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